O descascamento não deve ser avaliado apenas pela quantidade de arroz descascado. Pressão e vida útil dos roletes, percentual de marinheiros e eficiência da separação de grãos, casca e marinheiros interferem na quebra, na capacidade da linha e no custo por tonelada beneficiada.
Quando prolongar o uso reduz o rendimento
Consideremos uma indústria que beneficia 8.400 toneladas mensais de arroz em casca. Suponhamos que, para manter a eficiência com roletes desgastados, os operadores aumentavam progressivamente a pressão.
A prática acrescentou 0,6 ponto percentual a geração de quebrados: 50,4 toneladas deixaram de ser comercializadas como inteiros. Com diferença de R$ 850 por tonelada entre inteiros e quebrados, a perda chegou a R$ 42,8 mil por mês.
Outra suposição: a falta de padronização entre turnos também provocou seis trocas adicionais de pares de roletes, desnecessárias se o conjunto fosse adequadamente utilizado. Ao custo estimado de R$ 1.200 por par, foram mais R$ 7,2 mil.
O prejuízo não está somente no componente. Está, principalmente, no valor perdido pelo arroz enquanto o equipamento opera fora de sua faixa econômica.

O custo da separação incorreta
O separador de marinheiros deve encaminhar o arroz integral ao beneficiamento e devolver apenas os grãos ainda em casca.
Quando mal regulado, arroz descascado retorna aos roletes, ocupando capacidade e sofrendo novo impacto mecânico. No outro fluxo, marinheiros podem avançar, causando contaminação, retrabalho e instabilidade.

No cenário hipotético aqui criado, 3% da produção — 252 toneladas — retornavam sem necessidade. O volume ocupava 16,5 horas mensais da linha. Com margem de contribuição de R$ 100 por tonelada que poderia ser processada nesse período, a perda de capacidade foi de R$ 25,2 mil.
O reprocessamento ainda acrescenta gasto em energia, que neste caso não foi computado, assim como a quebra adicional de grãos pelo repasse desnecessário de grãos esbramados (de retorno), pelos roletes.
Impacto financeiro
O prejuízo mensal estimado para o caso é de R$75,2 mil, composto por:
- R$42,8 mil em perda por aumento de quebrados nos roletes;
- R$7,2 mil por trocas prematuras de roletes; e
- R$25,2 mil em perda de capacidade produtiva.
A redução dessas perdas exige controlar pressão, reversões e vida útil dos roletes; medir os dois fluxos do separador; comparar turnos; e relacionar cada ajuste ao rendimento de inteiros.
Na indústria de arroz, uma regulagem aparentemente pequena pode definir se a margem permanece no pacote ou retorna ao descascador.

